Sistema nervoso e pasto de abelhas pautaram seminário

Palestras, oficinas e exposição de produtos marcaram o 10º Encontro de Meliponicultura

As dezenas de meliponicultores que estiveram no Parque Christoph Bauer, nos dias 25 e 26 de novembro, receberam uma aula sobre o sistema nervoso central das abelhas sem ferrão. Além disso, puderam entender que seu alcance de voo é restrito e, por isso, aprenderam quais plantas herbáceas podem ser cultivadas próximas à propriedade, para alimentar as abelhas. As palestras abriram a programação de sábado do 10º Seminário de Meliponicultura, promovido pela Associação dos Meliponicultores do Vale Alto do Taquari (Amevat), em parceria com a Prefeitura e Câmara de Vereadores do município, além da Emater.

O primeiro palestrante foi o professor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Althen Teixeira Filho. Ele demonstrou aos presentes, que as abelhas nativas sem ferrão, assim como outros seres vivos e os humanos, possuem um sistema nervoso central e que seus neurônios, se comparados com o de outras espécies, nada se diferem.

Na sequência, o professor alertou sobre as alterações que os agrotóxicos causam na ligação entre os neurônios das abelhas, pois agem de forma semelhante, nos receptores dos insetos, aos neurotransmissores. Segundo ele, estas alterações podem causar desorientação no voo das abelhas, por exemplo, as impedindo de voltar às colônias e até mesmo morrendo de inanição.

“Tem surgido muitos trabalhos a respeito da inteligência das abelhas, sentimentos, e até cálculos matemáticos, que é algo belíssimo. O momento é crítico e as pessoas têm que acordar”, alertou o professor.

Alimentação

Na sequência, o tema se focou na alimentação das abelhas e a palestra foi do youtuber Gabriel Benoski, do canal Abelhando Mundo Afora. Ele destacou que a região interfere diretamente no pasto disponível. “O indicado é a gente começar plantando. Eu sempre falo que antes das abelhas vêm as plantas , que justamente para termos esta segurança de colocarmos as colônias no local onde elas vão ter o alimento que elas precisam para se desenvolver e não precisar ficar correndo com manejo de recuperação para elas”, explicou.

O pasto equilibrado, conforme Benoski, reúne as plantas nativas do cinturão verde das cidades e aquelas cultivadas em jardins que são próprias para as abelhas. Como dica, o youtuber destacou que se pode encontrar em floriculturas e cultivar em casa, manjericão, cosmos, boldo, margaridas, camomila, funcho, própria salsa e até rúcula.

“Plantas que a gente cultiva normalmente na nossa horta, no nosso jardim, mas que antes de florir a gente faz alguma coisa com elas, então deixar uma parte para florir, a gente vai ver que vai atrair as abelhas”, indicou.

Seres importantes

O presidente da Amevat, Nelson Angnes destacou o trabalho dos meliponicultores em apresentarem as abelhas brasileiras sem ferrão para sociedade e que as abelhas são os seres mais importantes do mundo. “Se a gente sabe disso, todos nós temos a obrigação de cuidar e zelar pelas abelhas”, afirmou.

Os participantes também puderam participar de oficinas de manejo das abelhas sem ferrão. Para a comunidade em geral, o seminário apresentou uma feira de produtos originários das abelhas sem ferrão, como mel, cosméticos e hidromel, além de caixas para abelhas e outros utensílios.

Preservar

O prefeito Paulo Grunewald (PP) destacou a importância de preservar as abelhas para manter o equilíbrio ambiental e a produção de alimentos. “Sem elas muita coisa não existiria. Nós temos a missão de propagar os seus benefícios para as futuras gerações.”

Ainda estiveram presentes na abertura do evento o vice-prefeito Grasiani Galli (MDB), primeira dama Heidi Grunewald, Secretário Municipal da Educação, Cultura, Turismo e Desporto Samuel Bauer, Secretário Municipal do Planejamento Vianei Noll, presidente da Câmara de Vereadores Clarice Groders (PP), o vereador Lucas Grahl da Silva (PP) e a rainha Andrezza Favaretto.

Fotos Andréia Rabaiolli e texto Giovane Weber/FW Comunicação - Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Forquetinha